“Viajar não é mais importante do que qualquer outra coisa. Escolher o seu caminho que é!”

Viver no exterior é para muitos uma escolha de vida. Um exemplo perfeito é Gérman Kronfeld, um dos nossos estudantes Uruguaios que já ‘mora’ pelo mundo há mais de 3 anos.

Poderia ter sido apenas mais um desses raríssimos dias de sol Irlandês se German Kronfeld não tivesse visitado o nosso escritório de comunicação para nos contar um pouco sobre a sua aventura pelo mundo. Uruguaio, 32 anos de idade, ex-dono de um bar, hoje carrega o seu sorriso confiante e carismático, relaxado estilo de roupas, o seu mate e o termo, que não podem faltar, para onde quer que ande.

Não é difícil de entender o porquê dele ter se tornado uma inspiração para bastante gente: fazem-se necessárias muita energia, entusiasmo e paixão pela a arte de explorar e compartilhar o desconhecido com outros, características que não faltam em Kronfeld.

 

Partindo do início, na verdade, a ideia de viajar o mundo nunca foi dele. Em 2012, o seu irmão e outro amigo haviam decidido que já era hora de ir para o exterior. Reuniões para discutir essa “ideia maluca”, como German a intitulou, ocorriam, por ventura, no bar do German. Um dia sem que ninguém esperasse, Kronfeld decidiu embarcar na aventura. “Eu conhecia apenas um país e percebi, de repente, que o mundo era muito maior; havia ainda muitas experiências que eu poderia ter em minha vida”. Logo depois, ele vendeu seu pub, arrumou sua bagagem e foi embora, deixando para trás um país que crescia rapidamente economicamente (prestes a se tornar a economia mais forte da América do Sul), seus amigos e familiares, levando na bagagem seus novos ‘sonhos emprestados’.

Trabalhando na Austrália: Por que você está limpando as cadeiras?

Com a possibilidade de trabalhar por um ano na Austrália, eles conseguiram não só aprimorar o inglês como também ganhar algum dinheiro. Inicialmente, eles enfrentaram tempos difíceis devido ao básico nível de inglês. Uma estória engraçada que eles contam é o fato deles ter compartilhado o mesmo telefone celular por algum tempo, porém nenhum deles era capaz de entender uma palavra que provinda do outro lado da linha. Kronfeld não faz ideia de quantas oportunidades de emprego eles perderam com isso.

Felizmente, todos conseguiram um emprego depois de um tempo. De forma provocativa, pergunto a German se ele se sentia constrangido em trabalhar como faxineiro depois de ter possuído seu próprio bar, mas ele apenas ri e diz: “Nós nunca tivemos esse orgulho em nós. Porque havíamos terminado os nossos estudos em nossos países, não significava que não pudéssemos fazer ‘isso’ ou ‘aquilo’. Éramos felizes de tantas outras maneiras que o nosso trabalho era apenas uma parte pequena”, avalia.

Ser positivo em relação a nova situação nunca significou que eles quisessem aquele emprego para sempre, como explica Kronfeld, o que os fazia trabalhar com um grande sorriso estampado em seus rostos era o fato de que eles tinham um propósito claro; o objetivo deles era viajar pelo mundo e isso alimentava seus corpos e pensamentos.

Visitando os cangurus na Austrália – Arquivo do Facebook

Com o passar do tempo, as coisas melhoraram bastante para todos eles, mas German nunca tirou o pé do chão. Mesmo depois de ter alcançado uma posição gerencial, ele nos conta uma situação em que todos os funcionários foram questionados quem poderia limpar as cadeiras em seu local de trabalho. Para surpresa de todos, ele foi o único que disse “sim, eu posso”. German explica: “Lembro que liguei a música, mudei de roupa e comecei a fazer o trabalho”. Muitas pessoas começaram a questionar o porquê de ele estava fazendo essa tarefa, já que não fazia parte do seu trabalho, mas sua resposta foi direta: “É muito melhor limpar cadeiras usando camisas e ouvir música do que estar bem vestido”.

Ir ao exterior pode soar muito emocionante do ponto de vista externo, mas viver a experiência é altamente exigente; enfrentar culturas diferentes, ter que assumir subempregos e, nos estágios iniciais, a falta de conhecimento da língua pode ser um forte impedimento. Por este motivo, é crucial ter em mente seus objetivos e ser persistente. Obviamente, no caso de German, sua postura proativa e modesta desempenhou um papel vital na obtenção do sucesso. Ao ir para o exterior, não se esqueça de perguntar a si mesmo quais atitudes você quer tomar.

Dois tipos de viagem

A viagem começou na Austrália, onde haviam planejado trabalhar por dez meses, economizar algum dinheiro e, logo em seguida, partir para a Ásia, donde seguiriam pelo mundo. A viagem durou um pouco a mais do esperado, ficaram um ano na Austrália e acabaram viajando por 3 anos e 2 meses no total. Uma vez na Nova Zelândia, tendo um contato mais próximo com moradores e ao ouvir suas histórias incríveis, eles compreenderam que havia dois tipos de viagem que eles poderia fazer.

“Na primeira opção, poderíamos apenas visitar lugares, tirar fotos, se divertir e continuar, já na segunda opção poderíamos ficar por mais tempo em cada lugar, nos misturarmos às pessoas comuns, entendê-las e trazer lembranças mais verdadeiras de todos os lugares ”

Daí aí para frente, eles mudaram o rumo!


Tornando-se reconhecidos: do Facebook aos jornais.

Não é surpresa que hoje em dia se comunicar com pessoas de todos os lugares é muito mais fácil, já que podemos aproveitar de uma enorme quantidade de equipamentos tecnológicos. O boom causado pela popularização da fotografia no século 19 não é nada comparado ao que experimentamos hoje com a explosão das redes sociais, quando o número de fotos enviadas pelo Instagram supera a população mundial, segundo estatísticas da Omicore.
Tendo isso em mente, é óbvio que os três garotos aproveitaram a oportunidade para compartilhar suas experiências em seus canais próprios de mídia social. O que começou com apenas uma página do Facebook se expandiu para algo um pouco mais sério: “Mais e mais pessoas estavam nos seguindo e pedindo mais histórias”. Devido ao sucesso, eles foram convidados a divulgar suas aventuras semanalmente no programa de Rádio Uruguaio Justicia Infinita.
Arquivo do blog A la Vuelta, categoria Australia

 

Imediatamente, os irmãos colocaram as suas variadas habilidades em ação. Nosso estudante, formado em Publicidade e seu irmão em Jornalismo, aproveitando a ajuda de seu amigo, lançou o blog Viaje a la vuelta: Dos hermanos por el mundo onde, por meio de vários recursos multimídia, deram a seus seguidores um gostinho do mundo que vivenciavam. Depois de algum tempo, eles notaram que o público estava se expandindo, primeiramente entre espanhóis, seguido por outras nacionalidades.

Printscreen tirado do Jornal El Observador

Eles já visitaram mais de 20 países até agora, Viaje a la Vuelta é se tornou um grande catálogo de artigos interessantes sobre a estória de pessoas, culinária, culturas e lugares que se depararam, como também é oferece dicas e truques para aqueles que querem fazer o mesmo, mas não sabem por onde começar. Além disso, existem muitos vídeos e fotografias que garantem uma experiência muito mais dinâmica e envolvente para o público. Não é à toa que o blog foi listado como um dos 10 melhores blogs para viajantes no El Observador. Veja aqui: La travesía de dos uruguayos para descubrir el lado B del mundo

De fora para dentro: as mudanças causadas pelo mundo

Depois de viajar por mais de três anos, fiquei curioso em saber como German poderia ter mudado internamente. Aparentemente, me parecia nada mais que um jovem uruguaio portando o seu “Mate y Termo” a todos os lugares. Contudo, para ele a experiência que viveu o virou de cabeça para baixo: “Eu sou totalmente diferente do que eu costumava ser”.

Para ele a definição de vida costumava ser bem mais simples anteriormente: “Nós deveríamos crescer, conseguir um bom emprego, um bom salário, uma casa, ter uma esposa, algumas crianças e era isso, simples”. No entanto, ter passado por diversas experiências como conhecer nômades provou que ele estava errado. Ele entendeu que conceitos como felicidade, guerra, perigo e medo não se aplicam a todos da mesma maneira.

“Nada é como eu pensava, tudo é determinado culturalmente. Não há uma única verdade, tudo depende do ângulo de onde você olha ”.

Como consequência positiva, o alemão tornou-se muito mais aberto e flexível para entender e aceitar os hábitos e crenças das outras pessoas. “Eu não acho que posso fazer tudo o que outras pessoas fazem, mas posso aceitar a maioria delas do jeito que são”. Quando pergunto quais conselhos German tem para pessoas que, assim como ele, deseja viajar, German deixa claro que viajar não é mais divertido que nenhuma outra coisa na vida, viajar é uma escolha como qualquer outra.

“O importante é conhecer a si mesmo, saber o que te faz feliz, e fazer do seu jeito, escolher o seu próprio caminho”.

 

O grande número de eventos inesperados que os alteraram irreversivelmente não cabe neste artigo, mas ainda há uma pergunta final que me fez pensar e você pode verificar a resposta nas próprias palavras de German.

Qual foi o momento mais marcante que você teve durante sua viagem pelo mundo?

“Fomos de motocicleta para Mongólia. Chegando lá à noite, não tínhamos um lugar para ficar. Nós andamos por casas aleatórias (barracas), batemos em um deles e pedimos (usando gestos com as mãos) por abrigo. Fomos protegidos e alimentados por 10 dias por famílias diferentes. Lembro que ficamos com uma das família por duas noites que tinha uma menina. A princípio ela se escondia da gente, mas poucas horas depois já estava interagindo conosco. Dois dias depois, quando saímos de casa, ela chorou muito. O fato engraçado era que isso aconteceu mesmo nunca tivemos uma conversa adequada com eles, pois não falávamos a língua. Porém ainda assim, nós compartilhamos de um momento muito especial. Sempre que coisas incríveis como esta acontecem em nossas vidas não é fácil explicar. Eu acho que eram humanos ajudando humanos, como costumava ser há 400 anos. No final, as pessoas que têm menos, dão mais ”.

Foto tirada na casa dos moradores de Mongólia. Crédito: A la Vuelta

Destaques!

Melhor comida:

Não consigo lembrar o nome do prato, mas foi no Japão.
Comida Pior: Pombos na Malásia e na Índia a comida tinha um gosto bom, mas extremamente picante. Eu fiquei doente por vários dias.

Melhor país

Mongólia para a minha viagem (Mesmo assim, eu não iria viver lá).

Melhor povo:

Os Filipinos

O país em que você poderia pertencer:

“No geral há tantos lugares que senti que pertenciam. Acho que um lugar pode pertencer a qualquer lugar hoje em dia, se eles puderem se adaptar e encontrar uma maneira de se sentir em casa. Talvez eu pudesse pertencer à Irlanda (risos). A Espanha é um país que eu poderia dizer que eu facilmente pertenceria apenas por causa da nossa história ”.

O país a que você não pertenceria

Índia, Japão, Mongólia e China. “Gostei dos quatro países, mas suas culturas são muito diferentes, eu nunca poderia ser como eles, eles são muito diferentes de nós”.

Do que você sentiu saudades do seu país?

Família, amigos e uma geladeira cheia de comida.

 

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